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19 de novembro de 2011

Consequências nutricionais da cirurgia bariátrica

Vejo algumas pessoas em dúvida quanto à técnica que devem escolher para a cirurgia. Eu fiz o bypass gástrico em Y de Roux, ou seja, além de diminuir o tamanho do estômago, o caminho da comida pelo intestino é modificado, diferentemente da técnica sleeve, na qual só o estômago sofre alterações. As informações a seguir são referentes à cirurgia bypass, e tratam da questão nutricional. Porque precisamos nos preocupar em ter uma alimentação equilibrada? Porque é preciso vigiar as taxas de ferro e vitaminas? Porque por vezes é necessário fazer reposição de alguns elementos?  

Isso é muito sério. As deficiências de micronutrientes após a cirurgia podem resultar em anemia, déficits neurológicos e osteopenia (diminuição da densidade mineral dos ossos). A anemia pode ocorrer em até dois terços dos pacientes, resultante de deficiências de ferro, folato ou vitamina B12. As deficiências neurológicas podem acometer de 5 a 16% dos pacientes, devido a deficiência de B12, tiamina e ácido fólico.


FERRO

A absorção do ferro é prejudicada devido à diminuição da produção ou disponibilidade do ácido gástrico. Com o bypass do duodeno e do jejuno proximal, elimina-se os lugares primários onde o ferro é absorvido. 

B12

A vitamina B12 é ligada às proteínas e exige ácido gástrico e pepsina para liberação. Após o bypass, a câmara gástrica libera uma quantidade mínima de ácido gástrico, reduzindo a biodisponibilidade de vitaminas do complexo B provenientes da alimentação. É preciso então fazer a suplementação. 

ÁCIDO FÓLICO

A deficiência de ácido fólico pode também causar anemia, mas de forma menos preocupante, pois o ácido fólico é absorvido ao longo de todo o intestino delgado. A suplementação com multivitamínicos quase sempre corrige a deficiência de ácido fólico. Assim, só haverá essa deficiência se o paciente não tomar direitinho as suas vitaminas diárias. 

TIAMINA (VITAMINA B1)

Assim como as vitaminas do complexo B, a absorção da tiamina exige a acidificação da alimentação. O bypass gástrico diminui sua absorção, já que diminui a produção de ácido gástrico. Essa deficiência é mais comum em pacientes que vomitam muito no pós-operatório, e portanto tem uma dificuldade em ingerir micronutrientes. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS (tá parecendo trabalho acadêmico...hehe)

Diante do exposto, podemos ver a importância da vigilância das taxas nutricionais no pós-operatório de quem se submete à técnica do bypass gástrico (ou Fobi e Capella), bem como a importância de uma alimentação adequada e do uso correto do multivitamínico (indicado pelo cirurgião). Embora essa técnica tenha esses "inconvenientes", ela também garante uma perda de peso maior e uma "garantia estendida" de que o paciente vá manter-se  magro com o passar dos anos, isso porque com o desvio intestinal o alimento não passa pelo duodeno, ou melhor, não sofre a “mixagem” com as enzimas biliares e pancreáticas, e assim as gorduras serão mal absorvidas.O alimento também não passa pelo primeiro metro de jejuno, que é um local de importante absorção de açúcares. Pois bem, “não passando” por esses locais o alimento tem sua digestão e sua absorção parcialmente prejudicadas (principalmente as gorduras).

Não podemos achar que a cirurgia termina quando saímos do hospital. O acompanhamento psicológico (esse eu não tô fazendo, mas devia) e nutricional é necessário para que o paciente alcance seus objetivos quanto ao  emagrecimento, mas sem ficar doente! 

Tirei algumas informações daqui: 
http://www.dohmsweb.net/apparenza/informes/166_endocrinologia_art_tec.pdf
http://www.francoerizzi.com.br/cirurgia_obesidade.htm